Sobre o LAPA

O LAPA (Laboratório de Estudos e Práticas da Autogestão), muito modestamente, se propõe como um pequeno círculo de amigo(a)s e camaradas que possuem vínculos, afinidades, afetos e interesses em comum em torno do tema da auto-organização popular, talvez, como uma via possível para a emancipação de todos os subalternos e trabalhadores. Assim, é uma aposta simultânea na amizade e na revolução.

Por hora, o LAPA não se constitui como um coletivo, uma entidade ou uma organização, ainda que em potecial possa vir a ser isso ou outras coisas que nem sequer imaginamos. Como círculo, temos vínculos que nos unem para além do espaço que nos separa. Os estudos e ações que compartilharemos como círculo pode inclusive dar fôlego e alento para a formação e/ou consolidação de iniciativas coletivas e/ou individuais, nos mais distintos lugares onde nos situamos como vizinhos, estudantes, trabalhadores, etc.

A idéia de Laboratório, até agora sugerida, nasce como uma metáfora que se orienta pela dimensão experimentalista que carrega todo laboratório – e isso nos interessa particularmente, experimentar idéias e práticas, aprender e se apropriar do melhor dos processos políticos e sociais dos mais diversos movimentos de liberação que se levantaram contra todas as ordens e esquemas de dominação (inclusive os de esquerda). E mais: nosso laboratório é de bolso, se materializa e desmaterializa segundo determinadas condições ambientais e temperamentais, e talvez seremos muito mais tomados e possuídos pelas experiências do que a dissecaremos e a controlaremos, ao contrário do que ocorre com os homens-de-guarda-pó.

E se nos lançaremos a estudar e praticar a autogestão é porque ela todavia nos parece ser a melhor forma encontrada pelos dominados até hoje para que a terra, os meios de produção, o trabalho e a política (com ou sem o Estado) não se converta em monopólio e privilégio de uns poucos, e logo, instrumento de dominação, opressão e submissão de classe, casta, grupos ou camarilhas. E para isso é importante que nos alimentemos das teorias e narrativas que fundaram a autogestão como um princípio político, e que transcende, aliás, muitos projetos políticos ou ideologias (como o anarquismo e o comunismo); e ao mesmo tempo buscar compreender os caminhos e as vicissitudes das experiências de autogestão que tiveram curso, especialmente, na história moderna.



segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Reflexão LAPIANA sobre o ‘’curral’’ formado em Uberlândia, denominado Seminário Nacional de Educação

Entre os dias 9 e 11 de Outubro, ocorreu o seminário nacional de educação no qual, ao contrario do que foi falsamente alardeado por diversos movimentos, contou com no máximo uns 250 estudantes (levando em consideração que o fato de estar matriculado em uma instituição de ensino já o torna estudante e não o fato de se identificar com tal setor). Considerando que para um fórum de nível nacional de reorganização da pseudo-esquerda brasileira, esperava-se alcançar a media de pelo menos 400 estudantes. Talvez tal esvaziamento se deu devido a como se deu o processo tanto de construção tanto de divulgação nas universidades que provavelmente em muitas delas não deve ter sido muito diferente de como foi na UNIRIO.

Em nossa universidade, a divulgação de tal fórum foi mínima, impossibilitando a ampla participação dos estudantes, inclusive os que atuam no movimento estudantil da mesma, dessa forma teve-se um monopólio sobre os passageiros, inclusive, segundo relatos, uma pessoa que estava interessada em ir, por fazer parte de um grupo opositor ao do grupo que se responsabilizou sobre o processo do ônibus, foi impossibilitada de ir, enquanto pessoas (que compõe o mesmo coletivo do grupo responsável pelo ônibus) de outras universidades tiveram suas vagas garantidas, o que não é problema, pois nos devemos nos apoiar, porém garantir vaga a esses estudantes enquanto uma colega da própria universidade foi deixada de fora, é no mínimo incoerente.

Sobre o andamento do Fórum, tivemos o entendimento que mais uma vez o debate de reorganização foi jogado para segundo plano, privilegiando uma unidade rebaixada, muito previsível já que a própria convocatória em sua parte final, já demonstrava como um ''spoiler'' de que o que sairia dali não seria algo mais avançado que calendário e material. Por causa desses tipos de acontecimentos que preferimos boicotar alguns espaços, buscando observar de fora como se dariam as praticas dos que estavam ali presentes e entendendo que o contato com a cultura local seria muito mais proveitoso para nossa formação pessoal.

Os espaços de decisões do Fórum se deram por consensos sem a crítica franca, por causa do temor daqueles setores que queriam esse tipo de unidade, não queriam que acontecesse em qualquer momento a reprodução as práticas que vimos no CONCLAT e CNE, então temos velhas formulas falidas que não polarizam com os ataques do governo Lula/PT, vemos a necessidade de refletirmos sobre o fato de que não haverá superação da luta de classes se não superarmos a guerra de egos.

Com o debate sendo deixado em segundo plano, mostrando inclusive total falta de preocupação dos grupelhos ali presentes com a questão da fundamentação política para os militantes de base, acabou que diversas mesas não foram garantidas em detrimento da necessidade de tempo para que os grupinhos ou coletivos (como preferir chamar) pudessem juntar seus respectivos “gados” para lhes impor sem reflexão nenhuma seus posicionamentos, e dessa forma inflar seus próprios coletivos.

Observamos práticas de estudantes de base serem levados sem que se tivesse o mínimo de fundamentação da discussão política sobre o que deveria significar tal fórum, vemos assim como um parasitismo de alguns setores do ME, na disputa de migalhas de estudantes, na maior preocupação de realizar reuniões de seus coletivos do que na superação das divergências. Será que não é esse tipo de comportamento que gerou o Refluxo no ME? Fica a reflexão. Gostaríamos de salientar que tal pratica não é culpa do estudante de base que ta ali na tentativa de construir e de conhecer, e justamente devido a sua boa vontade, são enganados pelos militantes que chegam numa postura “coleguista” e cooptados sem terem acesso a uma discussão mais ampla sobre praticas organizacionais, ou seja, vemos a reprodução de praticas alienativas por parte dos que se dizem revolucionários.

Queremos deixar claro que nosso boicote dos espaços ali propostos e outros manobrados para que ocorressem por acharmos mais válidos e relevantes para nossa existência conhecermos a cidade de Uberlândia (suas feiras, parques, botecos, pessoas, comunidades, etc) do que participar de plenárias fictícias, onde as direções decidiam as 13 da tarde aquilo que teriam consenso e aquilo que não teriam, mostrando uma total falta de coragem de expor divergências programáticas.

Aqueles bravos companheiros que queriam expor seu descontentamento com ocorrido nos espaços tiveram sua voz dificultada pelas direções, será que é esse tipo de democracia que teremos em uma sociedade superior a essa? Creio que não, no meu entendimento a opressão do consenso se assemelha com as piores ditaduras, toda discussão e desnaturalização dos processos vigentes se faz necessário.

É muito importante situar que a luta contra o governo Lula/PT não pode se dar de qualquer forma, é preciso fazer a caracterização que se governou a serviço dos banqueiros e capitulando os movimentos (CUT, MST e UNE), nesta eleição vimos que todo o processo foi financiado pela grande burguesia e mesmo assim vemos membros e correntes do PSOL declarando apoio a candidata Dilma Rousseff, o que nos leva a questionar se realmente estão pautados na luta da classe trabalhadora.

Por isso, é de grande importância termos o entendimento que uma prática opressora com os diversos trabalhadores que ali presentes (Seguranças, Cozinheiros, Motoristas) compactua com a opressão que a classe dominante já propaga. Por isso que repudiamos esse tipo de atitude por acharmos que isso não é uma atitude de quem se reivindica comunista (Libertário, Leninista, Trotkista, etc.).

Fechamos nosso balanço salientando a necessidade de buscarmos novas estruturas organizacionais para a construção do movimento estudantil de forma geral, visto que se torna cada vez mais evidente a falência do movimento tal como é hoje, até mesmo porque a atual estrutura esta fadada a cair num total aparelhismo por parte dos partidos e movimentos totalitárias, que se utilizam dos aparatos das entidades estudantis para se infiltrar no meio universitário, deixando a demanda dos estudantes em segundo plano em detrimento da imposição de seus programas.

''Só ha duas opções nesta vida: Se Resignar ou se indignar. E eu não vou me Resignar Nunca''

Darcy Ribeiro

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Texto dos camradas da UFSJ

MOVIMENTO ESTUDANTIL: CRISE DE DIREÇÃO OU REPRESENTATIVIDADE?

Entendemos que a desarticulação do ME passa pela crise de representatividade. Independente de quais sejam as diretorias dos movimentos universitários, os DCE’s, UEE’s e entidades gerais não conseguem, salvo raras exceções, dar respostas para as demandas quotidianas dos estudantes, quanto mais para as questões políticas “maiores”.

DO HISTÓRICO

O movimento estudantil protagonizou diversas lutas do povo brasileiro. A criação da Petrobrás é um dos exemplos. Para além da análise da conjuntura de 50 ou 70 anos atrás, onde as disputas dos projetos de sociedade se davam de um modo mais aberto e intenso, constatamos que o movimento universitário era organizado pela base. Nas Universidades, os Centros Acadêmicos – CA’s – davam os rumos do movimento.

A ditadura de 64, na perspectiva de domar o ME, criou a figura dos DCE’s nas Universidades, organizados por eleições diretas. E nas Universidades onde já existiam DCE dirigidos pelos CA’s, acabou com o poder destes CA’s sobre o DCE, instituindo eleições diretas.

HERANÇA “GREGA”

Foi-se a ditadura, ficaram-se os DCE’s com eleições diretas. As “Diretas Já” foi uma conquista democrática, pois saímos da ditadura, saímos das trevas. Mas as diretas trazem consigo uma limitação no exercício da democracia. O povo vota de tempos em tempos, sem mecanismos de exercício direto do poder. Isso resulta no quadro atual. Para eleger um deputado, por exemplo, gastam-se milhões e milhões de reais, logo, manda quem tem dinheiro.

OS DCE’s HOJE

Nos DCE’s, a lógica não difere. São compostos por eleições diretas que exigem dinheiro, e o estudante limita-se a votar, pois elege uma diretoria com plenos poderes para mandar.

As eleições diretas são um poder limitado de democracia, pois o estudante vota numa chapa e não manda em nada depois. E por não mandar, participa pouco ou quase nada do movimento, pois é raro ver DCE’s onde votam mais de 10% dos estudantes.

Desta democracia limitada decorrem vários problemas: Corrupção, aparelhismo, carreirismo (nestes DCE’s, é comum a figura dos “estudantes profissionais”), oportunismo, etc.

MUDAR É POSSÍVEL

No entanto, outro tipo de democracia é possível, no lugar destas grandes e caras eleições. Há seis anos, quem dirige o DCE da Universidade Federal de São João del Rei – UFSJ são os CA’s e DA’s, por meio do Conselho de Entidades de Bases, que se reúne periodicamente para dar os rumos do DCE (cada CA ou DA tem um voto no conselho). Este conselho elege os cargos executivos do DCE (secretário, tesoureiro...), que têm a mera função de executar. E o principal, que é o poder que o conselho tem de revogar, sempre que necessário, qualquer dos cargos executivos do DCE. Tal democracia é mais avançada, pois:

* Dificulta a corrupção, pois um CA/DA fiscaliza o outro.

* Os CA’s/DA’s se fortalecem, pois passam a ter o poder do DCE. Na UFSJ, antes desta mudança funcionavam de fato 3 CA’s, num universo de 12 CA’s formalmente constituídos. Hoje existem 25 CA’s funcionando de fato.

* Acaba com o carreirismo, pois quem manda no DCE são os CA’s/DA’s, e não um ou outro “figurão iluminado”. É o fim da figura do “estudante profissional”.

* Os partidos políticos que desejarem participar do ME terão que mudar sua relação com o movimento, fazendo política de base nos CA’s/DA’s e atuando de maneira propositiva no conselho.

* No conselho a participação é aberta a todos os estudantes, logo não precisa ser do partido A ou B pra ajudar a construir o movimento.

* O conselho é contínuo, pois por não haver grandes eleições (e suas respectivas fraudes, denúncias, problemas com a justiça...) não se para o DCE por meses. Como o conselho é permanente, a renovação é mais saudável, pois dificilmente serão trocados todos os CA’s/DA’s de uma só vez (como acontece com uma diretoria de DCE, nos moldes atuais).

* As eleições são mais que diretas, pois a participação na eleição de um CA/DA é muito mais significativa que na de DCE (geralmente 30% votam na eleição de um CA/DA, enquanto na de DCE não se chega a 10%). Além disso, uma eleição de CA/DA é mais confiável, pois se usa pouco dinheiro e geralmente os estudantes conhecem os membros da entidade.

* O conselho, por ser aberto, torna-se multidisciplinar, o que melhora a qualidade de suas decisões.

E OS PARTIDOS PARTICIPAM DESTE TIPO DE DCE?

Este formato proposto de DCE muda a relação dos partidos. Hoje, muitos partidos, alguns que buscam a revolução, seguem a velha tática: Aparelhar um DCE, para pegar dinheiro e a imagem do movimento para colocar a seu serviço, pois entendem que assim estarão mais fortes e consequentemente mais próximos de fazer a revolução.

O que se vê, são estes partidos ganhando uma eleição de DCE para ganhar outra eleição, e pra ganha outra eleição, sendo um eterno ciclo vicioso. O que eterniza um movimento fraco, sem representatividade, e o que redunda em partidos corruptos, com uma militância treinada na fraude, no oportunismo, no carreirismo...

Com um DCE dirigido pelas bases, os partidos que buscam construir-se devem disputar sua política nas bases, junto aos CA’s e DA’s. E devem participar do Conselho de CA’s e DA’s de um modo construtivo, pois do contrário fracassarão.

OS ESTUDANTES SÃO “REACIONÁRIOS”?

É comum ver defensores da manutenção do status quo (manter os DCE’s como estão) dizerem que os estudantes são reacionários, que não participam do movimento por serem “anti-revolucionários”. É bastante óbvio que o estudante entre na Universidade com uma imagem negativa do movimento, pois somos bombardeados desde o “berço” com a propaganda de que MOVIMENTO=BADERNA.

Ora, mas o que os estudantes vêem ao entrar na Universidade? Geralmente, baderna. Um movimento pautado no divisionismo, no disputismo, na baixaria. Um movimento que pouco constrói. Sendo assim, é igualmente óbvio crer que a maioria dos estudantes ficarão a margem do movimento.

No entanto, se há uma dinâmica favorável para o movimento como tem havido na UFSJ nestes últimos anos, muitos estudantes se aproximam, constroem o movimento, e alguns acabam exercer a política para além da Universidade, organizados ou não em partidos políticos.

Um atestado disso é que, em São João Del-Rei, muitas organizações políticas estão fortalecidas, com bons militantes treinados no diálogo e na construção de um movimento de fato.



Tudo o que vejo vai mal.
Tudo o que penso, sem igual.
Teoria, minha querida,
Mostra-me o caminho da vida.

A. Glassbrenner

sábado, 25 de setembro de 2010

LUTARMADA Hip Hop e as eleições.



Galhardetes, baners, faixas, carros de som, panfletagem profissional, promessas, mentiras, acusações e bravatas. De 2 em 2 anos somos submetidos autoritariamente a esse martírio. A propaganda oficial diz sobre o seu Direito ao voto. De acordo com Marilena Chauí “a função do Direito é fazer com que a dominação não pareça uma violência. Se o Estado e o Direito fossem percebidos como instrumentos de dominação, os dominados se revoltariam”. E hoje o que fazem os partidos, inclusive os de esquerda? Se valem desse Direito ao voto para disputar espaço no Estado. E reparem que no caso das eleições, sob as cortinas do Direito se esconde uma obrigação. Se a pessoa com idade eleitoral resolve não votar, ela estará obrigada a uma multa ou será submetida a punições que trarão transtornos à sua vida social e pessoal. Ou seja, o que se propagandeia como um direito seu, na verdade é uma imposição.
As candidaturas de esquerda muitas vezes são justificadas com o argumento de que o Estado é um fato que independe da nossa aprovação como militantes, e que por isso devemos ocupar esses espaços com nossos representantes para serem um contra-ponto aos políticos de direita. Começamos aqui denunciando a possível ingenuidade que há em acreditar nisso. Para quem concorda que O Estado é o comitê executivo da burguesia, é um tanto quanto equivocado levar a nossa luta para um campo onde a burguesia tem mais força. Pela experiência acumulada nesses dinâmicos anos de “democracia”, percebemos que “nossos representantes” não ocupam espaços no aparato do Estado. Eles são, sim, consumidos, tragados, abduzidos pelo Estado.
Se os partidos surgem como forma de organizar o povo para a luta, esse propósito se desvirtuou com o tempo. Hoje, em função das eleições, os partidos não só abdicam da organização da luta popular, como desorganizam algumas iniciativas em construção. Em primeiro lugar ninguém seria leviano em negar que em período de eleição não há luta, a não ser por votos. Toda a esquerda, inclusive a que não é cúmplice disso, é pautada pelo processo eleitoral (vide o atual insucesso do Plebiscito Popular Pelo Limite da Propriedade de Terra, pro qual já se sabe, teve uma participação bem inferior aos plebiscitos anteriores ). Numa segunda análise nota-se que algumas organizações passam um período de 1 ano e meio em suas bases num trabalho de formação sob um alerta de Karl Marx de que “A emancipação dos trabalhadores será obra dos próprios trabalhadores”. Até que a campanha eleitoral começa e boa parte da esquerda atravessa o nosso caminho dizendo que “o seu voto pode fazer a diferença”.
Com tanta gente falando sobre o voto como caminho para o progresso, a justiça social e a paz, e como a defesa do processo eleitoral está presente tanto no discurso da direita como no da maioria esmagadora da esquerda, como o grito de “vote” ecoa bem mais e em maior volume do que o grito de “lute”, por fim as bases se convencem de que a emancipação dos trabalhadores será obra... do “meu representante” no congresso, na assembléia, na câmara municipal, e no palácio do governo. Só que como a máquina de propaganda (e compra de votos) da direita é infinitamente mais forte do que a da esquerda, a grande maioria dessas pessoas convencidas a votar, votam em conditat@s de partidos conservadores. Isso fica difícil de ser enxergado por uma esquerda distante das “comunidades baixa-renda”. Porém, mesmo de longe isso pode ser constatado quando se observa que quase a totalidade de moradores dessas comunidades que se candidatam, o fazem por partidos de direita. Esse é o resultado do desserviço prestado pela esquerda partidária, que legitima a perpetuação de nossos inimigos no poder.
Numa das primeiras paginas da tão comemorada constituição de 1988, consta que “todo poder emana do povo (...)”, mas, por exemplo, na esfera federal, 15,5 bilhões do nosso dinheiro foram gastos saldando a dívida do Estado brasileiro com o FMI; no Estado do rio, com um déficit de aproximadamente 10 mil professor@s, o governo gasta R$ 45 milhões com carros e helicópteros blindados para a sua polícia, em maior segurança, atirar em cabeça de pobre; no Rio, a prefeitura proibiu a utilização de escolas municipais para a realização de cursos pré-vestibulares comunitários. Cursos esses que capacitaram muit@s jovens de periferia a prestar, com sucesso, um vestibular que nem deveria existir. Se o poder de fato emana do povo e se o povo é diretamente afetado com tais medidas, por que o povo não pode debater e decidir?
Alguns militantes de partidos de esquerda dizem que o voto nulo, hoje, no Brasil é despolitizado. Podemos até concordar com isso, mas a mesma coisa pode se afirmar sobre o voto válido: sua esmagadora maioria se baseia em critérios os mais variados e absurdos que não o histórico, a orientação e plataforma política de cada candidat@. Para ilustrar tal fato basta ver a projeção de votos para o candidato a deputado em São Paulo, Tiririca, cujo slogan é “Vote no Tiririca. Pior do que tá não fica”. E esse processo de deseducação política do nosso povo tem enorme colaboração dessa esquerda que promove campanhas como “Fora Sarney”, “Fora Arruda” e outras semelhantes, atacando um sintoma da nossa sociedade e não a sua estrutura. Por que? Seria por que não é interesse implodir uma estrutura da qual querem se beneficiar? Em artigo publicado em junho deste ano
(
http://metamorfozesnacidade.blogspot.com/2010/06/uma-outra-politica-e-possivel.html), o sociólogo Antonio Ozai dá a sua opinião sobre essa questão: “cada vez mais aumenta o número dos que passam a viver da política. A missão revolucionária, viver para a política, é sutilmente substituída pela dependência econômica em relação ao aparato burocrático do partido e do Estado”.
Para @ polític@ honesto da esquerda que quiser de fato combater a corrupção na nossa política, o primeiro passo deveria ser não emprestar a credibilidade de seu nome a um jogo que permite a acessão ao poder de figuras como Collor, Sarney, Maluf, Arruda, Álvaro Lins, Celso Pita, José Dirceu e tant@s outr@s. Também não se sustenta o argumento de que pode se votar no candidato X para impedir que o candidato Y se eleja. A dinâmica da política institucional é muito suja. Os opositores de hoje “num toque de mágica” amanhã se tornam aliados. Um bom exemplo era a polarização entre PP e o PT, principalmente em São Paulo. Essa prática de votar para excluir funcionou até 2003. Quando o PT chega à presidência o PP – que já se chamou PDS, PPR e que tem origem na Aliança Renovadora Nacional (ARENA, partido de sustentação da ditadura de 1964) – se alia ao antigo rival. Como dissemos, o jogo é sujo.
Respeitamos todas as formas do povo organizar a luta contra-hegemônica. E se criticamos a atitude dos partidos que disputam eleições é porque acreditamos que essa não é uma forma de organizar, mas sim, o contrário, ela desorganiza a nossa classe para a luta.
Então, não é só pelo que representa o Estado; não é só pelo impacto negativo que o processo eleitoral tem sobre as organizações populares; não é só por legitimar o poder exercido pelos nossos inimigos de classe; não é só pela corrupção d@s que são eleit@s; não é só pela sangria de militantes das ruas para o aparato burocrático, tanto do Estado quanto dos partidos; não é só pelo fato de esse modelo institucional usurpar o poder que deveria emanar do povo. É por tudo isso junto que nós do Coletivo de Hip Hop LUTARMADA acreditamos que o caminho que nos levará ao socialismo não passa pelas eleições. É por isso que nós defendemos o voto nulo.


Inspirad@s nos Black Panthers,
TODO PODER AO POVO.

Coletivo de Hip Hop LUTARMADA.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Campanha Nacional pelo Limite da propriedade da Terra - em defesa da reforma agrária e da soberania territorial e alimentar.


Criada em 2000 pelo Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo (FNRA), a Campanha pelo Limite da Propriedade da Terra: em defesa da reforma agrária e da soberania territorial e alimentar, é uma ação de conscientização e mobilização da sociedade brasileira para incluir na Constituição Federal um novo inciso que limite às propriedades rurais em 35 módulos fiscais. Áreas acima dos 35 módulos seriam automaticamente incorporadas ao patrimônio público.

O módulo fiscal é uma referência, estabelecida pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), que define a área mínima suficiente para prover o sustento de uma família de trabalhadores e trabalhadoras rurais. Ele varia de região para região e é definido para cada município a partir da análise de várias regras, como por exemplo, a situação geográfica, qualidade do solo, o relevo e condições de acesso. A aprovação da emenda afetaria somente pouco mais que 50 mil proprietários de terras.

A introdução desta medida resultaria numa disponibilidade imediata de mais de 200 milhões de hectares de terra para as famílias acampadas, sem despender recursos públicos para a indenização dos proprietários. Esses recursos são hoje gastos em processos desapropriatórios e que poderiam ser empregados no apoio à infra-estrutura, ao crédito subsidiado e à assistência técnica para os assentamentos.

De acordo com os últimos dados levantados pelo Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE) em 2006, no Brasil, 2,8% das propriedades rurais são latifúndios e ocupam mais da metade de extensão territorial agricultável do país (56,7%). Em contrapartida as pequenas propriedades representam 62,2% dos imóveis e ocupam apenas 7,9% da área total.

Vale lembrar que mais de 70% dos alimentos produzidos para os brasileiros provém da agricultura camponesa, uma vez que a lógica econômica agrária tem como base a exportação, principalmente da soja, da cana-de-açúcar e do eucalipto. O Brasil tem a segunda maior concentração da propriedade fundiária do planeta.

Diante da realidade do campo, vários segmentos sociais se mobilizam para conquistar seus direitos. O papel da Campanha é exigir a obrigação do Estado em garantir esse direito à propriedade da terra a todos os brasileiros e brasileiras que dela tiram seu sustento. Além disso, a Campanha também está engajada na luta contra o agronegócio e o hidronegócio no Brasil, que destroem o meio ambiente, a biodiversidade e desabrigam milhares de trabalhadores rurais, quilombolas, indígenas e comunidades ribeirinhas.

Ações

Nacional

* Realizar mobilizações simultâneas em todos os estados brasileiros;
* Dialogar com parlamentares sobre a Campanha;
* Organizar audiências públicas;
* Buscar apoio de outros movimentos sociais;
* Organizar marcha nacional;
* Realizar plebiscito nacional;
* Criar o Dia Nacional pelo Limite da Propriedade;
* Discutir o tamanho do limite da propriedade de acordo com as estruturas fundiárias regionais;
* Respeitar as territorialidades das comunidades tradicionais, como indígenas, quilombolas, entre outros;
* Ocupação das propriedades acima de 35 módulos, produtivas ou não.

Estadual/Regional:

* Criação dos Fóruns Estaduais;
* Lançar a Campanha nos estados e em eventos que reúna as organizações;
* Realizar seminários de formação e encontros estaduais e regionais para estabelecer estratégias da Campanha;
* Promover lançamento da Campanha nos estados;
* Realizar atos públicos em defesa do Limite da Propriedade da Terra;
* Articular com outras entidades/instituições como escolas, igrejas e universidades para que o debate atinja toda a sociedade;
* Organizar comissões por região para debater a Campanha;
* Buscar apoio com outros movimentos sociais de cada região do país.


Objetivos

* Propiciar a formação para os/as participantes sobre os temas centrais da Campanha, qualificando os trabalhadores/as rurais e suas organizações sobre a questão agrária do Brasil;
* Possibilitar uma maior integração e engajamento das diferentes forças sociais, a fim de disseminar e fortalecer a Campanha nas diferentes regiões e estados brasileiros;
* Definir formas de mobilização e organização da Campanha, dentro da reforma agrária, da soberania alimentar e da luta contra o agro e hidronegócio;
* Construir estratégias de inserção e diálogo em torno da Campanha, com os diferentes atores da sociedade (Estado - poderes executivo, legislativo e judiciário, meios de comunicação, universidades, organizações populares) para massificar a discussão da Campanha.

Maiores informações:

www.limitedaterra.org.br

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

"Manifesto contrário a Belo Monte e favorável a energias alternativas educadores(as) e instituições vinculadas à REBEA"

Nós educadores e educadoras ambientais deste país nos manifestamos, enquanto coletivo, contrários em relação à UHE de Belo Monte.


Com maturidade e responsabilidade, salientamos que, à medida que a população brasileira se conscientiza em relação à importância da preservação socioambiental, nos cremos nos constituirmos cidadãos capazes de demandar menos energia e de redução significativa do desperdício. Podemos somar esforços e, conjugada e coletivamente, pensar num futuro sustentável para o Brasil.


A situação ambiental que vivemos vem piorando e se tornando extremamente crítica em vários pontos e setores da sociedade brasileira. A cultura do "progresso " ainda não conseguiu suplantar as desigualdades e a idéia de que o crescimento do país está necessariamente associado a sua destruição social, ambiental e étnica. Nós educadores e educadoras ambientais deste país, almejamos e trabalhamos para uma sociedade constituída em bases sustentáveis, que nos faça ter orgulho da herança e da memória que deixaremos à nossos filhos e netos.


Queremos registrar assombro e consternação diante do tamanho do impacto social, étnico e ambiental que se antevê para Belo Monte: estragos de proporções cataclismáticas, desnecessárias e estapafúrdias, em um momento onde o mundo pensa em soluções na direção contrária.


Há o sincero risco de se desestabilizar a milenar harmonia do rio Xingu e suas gentes, principalmente os povos indígenas que ali aprenderam a respeitar a Terra e a viver com ela e não contra ela - como estamos fazendo com este péssimo exemplo.


Alertas em oposição à obra vem de diversos setores, aos quais nos alinhamos, neste momento. Entre eles estão cientistas, institutos de pesquisa e movimentos ambientalistas, indiginistas e sociais. Muitos questionam o empreendimento do ponto de vista de seus custos e benefícios e perguntam: A quem se remetem os custos? E a quem se remetem os benefícios?


Enquanto isso, parece que há um certo comodismo conformista por parte da sociedade brasileira. Talvez estejamos paralisados, inertes. Estamos diante de nosso Destino e o devemos assumir com nossas mãos, corações e mentes.


Não há limites para os desastres da ganância embutida no desenvolvimento a qualquer custo. Um desenvolvimento excludente e desigual que não pergunta: desenvolver para quem? E privilegia, muitas vezes, os mais abastados da sociedade brasileira. Por que Belo Monte? Para quem Belo Monte? São perguntas que orbitam a mente dos educadores e educadoras ambientais deste país, personagens- cidadãos da esperança; profissionais indispensáveis para a construção de uma cultura e uma sociedade sustentável.


Saudações Ecofraternas,


REBEA


Aos interessados em assinar o manifesto, entrar em contato com rebea@yahoogroups.com.br

Fonte: http://www.rebea.org.br/conhecimento/item/703-em-defesa-de-belo-monte

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Do rio ao sertão sem gastar nenhum tostão


“ ando devagar porque já tive pressa e levo esse sorriso porque já chorei demais....”


Esta história, que é real e verídica, começa não de onde se inicia, um final de tarde chuvoso na capital fluminense, mas começa por motivações subjetivas precedentes, que, em última instancia tem suas influencias e determinações nas objetividades da vida. Depois de algum tempo passei a crer que a chuva que poderia ser o prelúdio de um banho de água fria que caíra impiedosamente sobre minh’alma, quase que congelando todo o calor das minhas emoções. Os canais virtuais de comunicação me trouxeram a notícia de que eu pariria partido, fragmentado, incompleto... Ora, camaradas, partamos mesmo assim, o tempo se encarregará das curas necessárias.

De 48, apenas 12 – Brasília Há vagas! – papos, filmes, música e muito conforto; a viajem foi bem UTIL. Na capital federal, uma carruagem celestial guiada por dois anjos de carne e beleza. Não farias tu a mesma troca?

Sim, eu confesso que vivi, não o ideal, mas o real e concreto. Fui o que fui e é isso que digo. Porque você não vive? Não experimenta? Não erra?

Fiz bons amigos, conheci uma centena de pessoas, fui quase sempre solidário e ouvinte atento aos dizeres de qualquer natureza dos outros, andei com e sem rumo, vendo pessoas e prédios, de perto e de muito alto. Mas,... independente de onde, como e com quem, ainda somos os mesmos e cometemos os mesmos erros que nossos pais. E a todo momento o pensamento se volta às montanhas das Minas Gerais, mas de nada adianta.

Para você que não é portador e defensor árduo de nenhuma cartilha receituária da “revolução proletária” abre as portas da mente e do coração para um esforço sincero de compreenção do olhar alheio e a tranquilidade e paz de espírito de não ver o diferente como inimigo. Nosso espaço de convívio tem que ser preservado mas aberto; aberto mas preservado.

Brasília bem que podia ser um mauzoléu de gente viva concretadas em suas casas. Não se ve gente nas ruas. Ninguém melhor que Renato Russo descreveu a vida desse lugar.

Bebi o que tinha pra beber, do simples suco ao refrigerante de camarão, conhecida como Pitú; participei de boas rodas de convers, compartilhei bons baseados com conhecidos e desconhecidos, fiz sexo com bem menos pessoas que disse ter feito, dividi a sombra da barraca para tirar uma ciesta, me emocionei algumas poucas vezes, e quase nunca me surpreendi, afinal, nada tão previsível como o ser humano. Imagina quando se “organizam” em um movimento que há muito já é miserável e sem criatividade! O ápice multiorgásmico foi algo que se assemelha a uma escola de samba; todos juntos na avenida, o bloco dos rebeldes (com causa). Ensaiamos nossas marchinhas, também conhecidas como palavras de ordem, tinhamos as alegorias, estandartes, a harmonia não podia ser quebrada se não algum membro “muito importante”da “comissão de segurança” vinha nos reprimir, digo, orientar. Tinhamos puxadores, agistadores, as alas e depois de muito esforço o juri nos deu nota zero e não desceu para participar da nossa festa. Descer ou pular, tanto faz, a direção “bem intencionada” disse mais uma vez o que o rebanho sentia, sem ao menos o perguntar!!! Vitória? Já vi coisas muito menores serem vitórias muito maiores. Além de tudo isso, ainda sobrou pra membros da “direção” vitoriosa uma perseguição política, acadêmica, ideológica por parte de um grupo que também quer ser a “direção”, mas que há muito não fala em nosso nome.

As garrafas de vinho na cor madeira me encantam pela cor e principalmente pelo conteúdo. Bons tempos de crise economica em São José dos Campos que me estimulava a criatividade e a solidariedade.

Enfim, Brasília tem que ficar para trás, e para ir rumo a Recife, mulheres de atitude tem que tomar a frente. Valeu Lu, ao contrário de outra que nos achavam intrusos, o mundo precisa de mais mulheres como você.

E dizem que as coisas não são possíveis. Ah se não fosse a compania da minha prima querida a viagem teria sido um tédio; mais filmes, cabaré dentro do busão e o sertão da Bahia fica para trás; assim como Aracajú e Maceió. Na terra de Chico Science me hospedo na periferia, sou recebido por um lindo dia cinzendo e chuvoso. Bons preságios desta terra para com minha pessoa. Campo Grande é onde fico, terra que já conheço, mas não como bairro de Recife. Lá tem Paty, Atamack, Carol, Adri, Toninho e a pequena Mati. Antes o mundo fosse como esta casa essa forma de viver... Procriar é um desejo constante. Tete, você é minha prima porque nós queremos que seja assim. Autogestão na casa, eu faço uma parte do almoço e também me deleito como a outra.

Nada sobra da garrafa vazia se não uma multidão de pensamentos.

Passear de bicicleta com uma garota de estrutura mediana, cabelos curtos e negros, corpo mignon na garupa... era ela que eu gostaria de carregar, mas ela está encravada em outras montanhas... porque? Porque? Porque?

O rio Capibaribe não é mais o mesmo. O centro antigo com seu cine pornô continua lá, assim como seu tradicional mercado e a praia de boa viagem. Não há muito o que contar dessa passagem tão rápida, somente que as conversas foram sempre as melhores possíveis.

De Recife à Custódia parto de carona, passando por Caruaru... triste cidade que cresce na violencia.

Cigano e niilista, será? Gracias as bençãos do esquecimento.

Após deixar minha primeira carona, logo em seguida arrumo outra; um casal de velhinhos, ele com seu boné do Brasil e ela com seu chapéu de palha, ouvindo música dos anos dourados no rádio do carro. Conversamos sobre várias coisas em especial sobre a Trans-nordestina e a transposição do rio São Francisco; há uma unanimidade em favor destas. Chego a Serra Talhada, terra de Lampião, ex fazenda, com a incrível marca de zero centavo gasto para viajar.

Mas ela, ela não está ao meu lado

Ela, a felicidade

Talvez esteja escondida dentro de mim mesmo.

Aqui nesta terra onde o coronelismo predomina (terra de José Inocencio), as muriçocas detém o movimento mais organizado e radicalizado. As incríveis ironias do mundo dos homens nos mostra que na cidade haverá uma missa em homenagem ao excomungado Lampião (???).

Os vinhos do vale do São Francisco são dignos das melhores companias e nào deixam a desejar para um chileno ou argentino.

“[...] como está adistringente essa fruta oriunda do cajueiro” (C.C.S., 2010 - grifo meu).

E Triunfo, a 30 km daqui, mas que se atravessa uma espécie de portal mágico para lá chegar, afinal quase nevar em pleno sertão parece história de pescador; blusas, casacos, cachecois, toucas, sobretudo... seria tudo isso surreal, se mais surreal ainda fosse assistir o show do Erasmo Carlos, que parecia um zumbi, meio morto meio vivo, quando de repente aparece no palco uma figura que salve engano já havia morrido: Michael Jackson. Dançando e agitando a massa. Veja, sinceramente não fiz uso de nenhum psicotrópico quando vivenciei isso, muito menos agora que me ponho a relatar, isso aconteceu de fato, e tenho testemunhas!!!

Voltamos a Triunfo na noite seguinte par anos certificarmos de todo frio que passamos e ele se repete, ainda mais intenso. Estamos na Suíça do sertão. Desta vez é Nando Reis que me tortura, me levando até minas...

Só hoje não será mais ouvido sem causar dor de um corte profundo que se incia na crista ilíaca superio esquerda e rasga corpo e vísceras até a borda medial da clavícula de mesmo lado.

A receptividade e a acolhida desse povo é humano demais... Cris, Rosa, Miguel, Rubinho.

Bem, acho que esse relato já passou dos seus limites, mesmo que ele não os tenha. É certo que algumas passagens e citações somente as pessoas que as viveram comigo entenderão; bora viver então!!

De todo modo, foi bom demais passar meu trigéssimo primeiro aniversário da presente encarnação no sertão bebendo e comendo peixe.

A possibilidade real de viver, trabalhar e gozar com sussego se aponta no horizonte; ao sacrifício da reta final.

Mais de 50 cidades....

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Avaliação do L.A.P.A. sobre o XXX ENEPe


Realizado dos dias 17 a 24 de julho do ano cristão de 2010, no ‘’Deserto’’ do Cerrado de Brasília, o XXX ENEPe foi um espaço importante para juntar * (nem reuni e nem une) estudantes de todos os cantos e centros do Brasil (cadê os estrangeiros?) para dialogarem entre si, simultaneamente, alguns objetivando a reorganização do MEPe e outros a desorganização.

Tivemos a participação do camarada estiloso, gente boa e pica nas galáxias Cássio Brancaleone na mesa de situação política, que fez uma explanação muito aplaudida e que prendeu a atenção da maioria dos estudantes que estavam presentes (alguns dormiram, viagem longa sabe como é), mas o facilitador quebrou e trucidou (Fatality do Zub-Zero) com as práticas das organizações totalitárias de trazerem a cartilha ou receita de bolo do programa revolucionário Deta ou Ilpha. Cássio colocou a importância dos companheiros buscarem a resposta em si, após uma contextualização muito fundamentada da conjuntura política anti-capitalista,


aliás os Lapianos presentes interagiram nos diversos espaços propostos pela organização e até alguns clandestinos (Otimas Culturais), mas observamos que foi notório a mudança de atitude e de comportamento do conjunto de estudantes que esteve presente nos espaços de discussão, graças ao bom trabalho da Comissão Organizadora, que garantiu todas as demandas que o encontro onera, e também do acumulo de alguns debates no MEPe ao longo dos anos que faz com que o estudante não abaixe a cabeça para a demagogia dos burocratas do ESTADO falido, e que não representa ninguém.

O ato que sem dúvida sai do zero que estávamos e vai para o 1, podemos chegar mais longe, uma pena não aproveitarmos melhor a conjuntura de estarmos na casa do inimigo com milhares de estudantes combativos.

Queremos saudar os bravos companheiros do Campo de Luta pela brilhante participação no encontro, jogando força nos espaços e fazendo uma reflexão qualificada da necessidade de fazer o debate POLÍTICO e não pessoal. (ALIÁS, queremos esse encontro marca a morte do personalismo e picuinha, o enterro ocorrerá no cemitério o do Caju as 14 horas)


Gostaríamos de “parabenizar” a UNE (União Nacional dos Estudantes) por mais uma vez cumprir o seu papel de Policia dentro do Movimento Estudantil. Apesar do fraco empenho do seu quadro de militantes, sua fragilidade política e de todas suas propostas governistas terem sido ridicularizadas e rechaçadas pela base dos estudantes de Pedagogia em plenária, se mantiveram intervindo ou cuspindo intervenção (como o leitor preferir) até conseguir sua única vitória (só até conseguir alguma coisa do tipo. Após essa ‘’grande’’ conquista se retiraram, mostrando o seu grande desrespeito a luta dos estudantes). A de CRIMINALIZAR a estudante Aryane Martins (http://www.orkut.com.br/Main#AlbumZoom?uid=6891827105304577011&pid=1280127226137&aid=1280056400$pid=1280127226137)

*brincadeirinha Ary*

por cumprir com seu papel enquanto Executiva Nacional de Estudantes de Pedagogia, e por sua atitude de ser contraria as arbitrariedades do governo o qual a UNE tanto defende.

Mesmo Assim os estudantes de Pedagogia reafirmaram a ruptura com a UNE pela quinta vez (cinco vezes rebaixada, Sexta Divisão?).

Então, mais uma vez, “parabenizamos” os colegas dessa entidade contraditória e esquizofrênica por mais uma vez terem tido a coragem de fazerem papel de fantoche do governo a nível nacional, e a nível monárquico também, graças a aliança com o PC do B com a Juventude Monárquica iniciada no EFEPe e reafirmada no ENEPe em prol do Comunismo Monárquico, hahahahahahaha

que apresentaram a ''sensacional'' e supimpa candidatura do ENEPe 2011 Rio de Janeiro (Lendo o pseudo-projeto em um papel escrito a mão) e apenas esquecendo de dialogar com a ExFEPe e com os CA´S da UFRJ, UFF, UERJ maracanã( QUE SERIA A SEDE) , UERJ FEBF, UNIRIO, UFRRJ, UFRRJ Nova Iguaçu, mostrando o nível de organização que o Comunismo Monárquico quer para o nosso Estado.

O futuro do LAPA?

Palms

John Person

Nas ruas da cidade, na cidade cinza, na Amazônia, no sertão, no cerrado , na cadeira da sala de aula, no boteco e em todo lugar que o espírito gritar por mudança.

Renato Padilha e Raphael xXx