quarta-feira, 24 de novembro de 2010
TOCANTINS
terça-feira, 16 de novembro de 2010
Quando o café acaba...
O cuidado minuncioso do Cláudio com os livros, o seu swing ao dançar uma música que lhe apetece.
Ver o súbito interesse do Fábio pela região sul do país e toda sua dedicação em fazer seu trabalho acontecer e assim a vida caminhar mais sossegada.
Fazer uma macarronada para todos, mesmo sob a suspeita do Cláudio, que depois deu muitas garfadas dela.
Ver a Fernanda chegar na porta da cozinha e perguntar se tem café.
Assistir ao Fábio resgatando as chícaras do Cláudio "perdidas" entre uma casa e outra.
Ver o fluminense empatar de maneira sofrível.
Conversar sobre a vida e a não vida.
Ouvir a chuva chover forte... ouvi-la parar e retornar mais tarde.
Botar o mesmo cd pra tocar de novo.
Fazer um lanchinho da mamãe como na infância; rir até o ar faltar aos pulmões.
Pensar e não pensar ao observar e sentir esse espaço tão acolhedor.
Mas tudo isso teria um gosto a menos se não tivesse o café.
A garrafa de café é o ponto onde todas as mãos convergem e o líquido preto e quente que dela derrama é símbolo do vigor que, ao menos momentaneamente, une entrépidos pecadores na dura tarefa de vencer a si mesmos.
Mas quando a noite ou a fria madrugada vem, e na garrafa já não há uma gota disso que nos liga, um vazio interior e uma solidão seca toma conta de tudo.
Nessa hora percebemos que só há uma atitude a tomar: fazer uma nova garrafa de café fresco até que o café acabe de novo.
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
na madrugada de domingo para segunda-feira. O segurança não estava presente no local, depois
descobriu-se que ele havia ganho dispensa devido as eleições. Tudo ocorrera em paz.
Por volta das 8:30 da manhã a Polícia Federal e a Polícia Militar chegaram à Ocupação
Guerreiro Urbano, arrombando as portas, quebrando correntes e cadeados.
A ação foi realizada por um delegado e policiais que NÃO USAVAM SUAS IDENTIFICAÇÕES e ESTAVAM SEM MANDATO DE REINTEGRAÇÃO DE POSSE, conforme exige a lei referente à ocupação de imóveis abandonados.
Militantes que exigiram que o delegado se identificasse tiveram fuzis apontados para os seus corpos e
foram atingidos por spray de pimenta. Tanto delegado (da PM) e o comandante (da PF) não se identificaram.
Os policiais militares que ficaram no local fazendo a segurança do prédio, após o desalojo, apontavam metralhadora contra um grupo de sem-tetos e militantes pacífico e desarmado, entre os quais haviam senhoras de idade, bebês e gestantes
O evento foi divulgado em Blogs e no CMI (.http://pelamoradia.wordpress.com/category/rio-de-janeiro/) Passei ontem pela tarde no seminário internacional do Enlace (corrente do PSOL),que ocorria aqui no Rio, para entrar em contato com representantes dos mandatos de Chico Alencar e Marcelo Freixo. Ambos se comprometeram a divulgar o evento nos boletins de seus respectivos mandatos, bem como fazer falas na Câmara de Brasília e na Alerj para criticar o absurdo ocorrido. Uma matéria também deve sair no jornal Brasil de Fato.
Quem puder contribuir para a divulgação do ocorrido nos órgãos da imprensa, ampla, estudantil, sindical, partidária, etc, estará contribuindo para que este caso ganhe visibilidade e um novo absurdo autoritário e anti-constitucional como esse não volte a ocorrer. Militantes experientes nunca tinham presenciado uma desocupação tão truculenta e, repito, ilegal, Anti-Constitucional. Estou buscando as fotos da repressão, quem se interessar, fale comigo ou com os demais "apoios" do movimento sem-teto.
Também saiu uma matéria no jornal Extra, com o discurso típico de criminalização dos movimentos sociais.
Ocultaram notícias fundamentais, como o desarmamento dos militantes e ocupantes e a iligalidade da ação
policial. Organizações Globo, era de se esperar...
http://extra.globo.com/rio/materias/2010/11/01/policia-expulsa-cerca-de-100-ocupantes-de-predio-em-santo-cristo-onde-havia-posto-do-inss-922927522.asp
da repressão estatal. Continuem ligados na possibilidade de mobilização.
MANIFESTO DA OCUPAÇÃO GUERREIRO URBANO
Hoje, o Rio de Janeiro passa por um momento dos mais preocupantes. O déficit habitacional do município é maior do que 150.000 (estimativa oficialmente subestimada), sendo que em cada 10 pessoas que necessitam de moradia, 9 ganham entre 0 a 3 salários mínimos. Mesmo com tanta gente precisando de moradia, existem mais de 220 mil domicílios vagos no município do Rio de Janeiro. Destes, grande parte fica ocioso durante décadas em um claro descumprimento da legislação brasileira. A Constituição Federal do Brasil diz que toda a propriedade, seja ela rural ou urbana, precisa cumprir a sua função social. Se o proprietário não dá a ela uma função ele está infringindo a lei e, portanto, o Estado deve agir para fazer valer a sua Carta Magna. Contudo, o que acontece quando o Estado torna-se não apenas negligente, mas cúmplice dos proprietários infratores? E quando é o próprio Estado que descumpre as leis pelas quais diz zelar? O Estado democrático deveria estar a serviço do povo trabalhador e não do capital imobiliário!!!
A população pobre urbana carioca vive mais um grande ataque perpetuado pelo Estado e suas esferas de governo. Políticas públicas como o Choque de Ordem, a “revitalização” da zona portuária, as UPPs e o programa Minha Casa Minha Vida, conjuntamente, acabam agravando a periferização da pobreza e beneficiam diretamente grandes construtoras e os especuladores imobiliários. Na Zona Portuária (local de grande tradição para a população pobre carioca), a pseudo-revitalização não esconde o seu principal objetivo: substituir a população pobre por uma população de classe média. Além dos despejos ilegais e da expulsão branca (já que, aumentando o custo de vida, fica difícil permanecer na região), o pobre urbano, principalmente o camelô, é perseguido como se fosse um ladrão por uma Guarda Municipal que é cada dia mais covarde, violenta e criminosa. O Estado não hesita em incluir os camelôs em suas estatísticas na categoria de empregados, mas rouba e espanca o trabalhador com um discurso de criminalização do trabalho informal. Como podemos aceitar políticas públicas que expulsam o pobre da sua moradia e retiram o seu único meio de sobrevivência? Fica claro que a Prefeitura deseja sufocar o trabalhador pobre que reside no Centro e empurrá-lo para a periferia. E em contrapartida? A Prefeitura promete uma casa no fim do mundo com o programa Minha Casa Minha Vida – bem longe de todos os serviços dos quais precisamos (saúde, trabalho, transporte, educação, lazer...). Ou então, oferece um aluguel social de 400 reais – que, além de não sustentar nenhuma moradia próxima ao Centro, é suspenso pela Prefeitura quando ela bem entende.
Queremos moradia porque é um direito garantido pela Constituição! E dizemos que ela precisa ser no Centro porque trabalhamos aqui. Mas também porque é aqui que estão as melhores escolas públicas, os melhores hospitais, creches, teatros, centros culturais e bibliotecas. Afinal de contas, não é só a moradia que é um direito constitucional, mas também a saúde, a educação, a cultura e o trabalho. Além disso, segundo o IPP (Instituto Pereira Passos), na Zona Portuária, 1 em cada 4 imóveis está vago. E, se não bastasse, reconhece que grande parte desses imóveis são públicos! Portanto, não queremos aluguel social: ele não resolve o problema da moradia. E não queremos casas longe do nosso trabalho: queremos qualidade de vida, acesso à cultura, à educação e à saúde também. Temos o direito de ter acesso à cidade que ajudamos a construir!
Por isso, hoje, dia 1 de novembro nós ocupamos este prédio que há décadas se encontrava abandonado, deixado de lado, “sem vida”. Ocupamos porque a verdadeira revitalização será feita por nós! Nós, trabalhadores e trabalhadoras, cansados de tanta opressão, nos organizamos há meses para hoje nos juntarmos a outras tantas vozes e dizermos: Basta! Se o Estado não cumpre a lei, nós a faremos cumprir, pois somos nós que tivemos nossos direitos usurpados, nós que sofremos com a violência diária e nós que construímos e continuamos a construir essa cidade. Cidade esta que por trás de uma máscara “maravilhosa” esconde o rosto e as marcas da pobreza e da violência. As soluções do poder público não nos servem, já que continuamos sendo tratados com todo o desprezo, como criminosos, como um lixo humano.
Cansamos de esperar o poder público agir! Cansamos de ver o governo trair a população para beneficiar os verdadeiros criminosos e especuladores! Ocupamos para mostrar que dos nossos olhos não rolam só as lágrimas de desespero pela injustiça que sentimos na pele todos os dias. Com nossos olhos também vemos que, se é com nossas mãos que a cidade conta para crescer, é com elas também que vamos contar para construir juntos as soluções para nossos problemas. Os direitos de todos também são nossos. Se não nos dão, só nos resta tomá-los.
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Reflexão LAPIANA sobre o ‘’curral’’ formado em Uberlândia, denominado Seminário Nacional de Educação
Entre os dias 9 e 11 de Outubro, ocorreu o seminário nacional de educação no qual, ao contrario do que foi falsamente alardeado por diversos movimentos, contou com no máximo uns 250 estudantes (levando em consideração que o fato de estar matriculado em uma instituição de ensino já o torna estudante e não o fato de se identificar com tal setor). Considerando que para um fórum de nível nacional de reorganização da pseudo-esquerda brasileira, esperava-se alcançar a media de pelo menos 400 estudantes. Talvez tal esvaziamento se deu devido a como se deu o processo tanto de construção tanto de divulgação nas universidades que provavelmente em muitas delas não deve ter sido muito diferente de como foi na UNIRIO.
Em nossa universidade, a divulgação de tal fórum foi mínima, impossibilitando a ampla participação dos estudantes, inclusive os que atuam no movimento estudantil da mesma, dessa forma teve-se um monopólio sobre os passageiros, inclusive, segundo relatos, uma pessoa que estava interessada em ir, por fazer parte de um grupo opositor ao do grupo que se responsabilizou sobre o processo do ônibus, foi impossibilitada de ir, enquanto pessoas (que compõe o mesmo coletivo do grupo responsável pelo ônibus) de outras universidades tiveram suas vagas garantidas, o que não é problema, pois nos devemos nos apoiar, porém garantir vaga a esses estudantes enquanto uma colega da própria universidade foi deixada de fora, é no mínimo incoerente.
Sobre o andamento do Fórum, tivemos o entendimento que mais uma vez o debate de reorganização foi jogado para segundo plano, privilegiando uma unidade rebaixada, muito previsível já que a própria convocatória em sua parte final, já demonstrava como um ''spoiler'' de que o que sairia dali não seria algo mais avançado que calendário e material. Por causa desses tipos de acontecimentos que preferimos boicotar alguns espaços, buscando observar de fora como se dariam as praticas dos que estavam ali presentes e entendendo que o contato com a cultura local seria muito mais proveitoso para nossa formação pessoal.
Os espaços de decisões do Fórum se deram por consensos sem a crítica franca, por causa do temor daqueles setores que queriam esse tipo de unidade, não queriam que acontecesse em qualquer momento a reprodução as práticas que vimos no CONCLAT e CNE, então temos velhas formulas falidas que não polarizam com os ataques do governo Lula/PT, vemos a necessidade de refletirmos sobre o fato de que não haverá superação da luta de classes se não superarmos a guerra de egos.
Com o debate sendo deixado em segundo plano, mostrando inclusive total falta de preocupação dos grupelhos ali presentes com a questão da fundamentação política para os militantes de base, acabou que diversas mesas não foram garantidas em detrimento da necessidade de tempo para que os grupinhos ou coletivos (como preferir chamar) pudessem juntar seus respectivos “gados” para lhes impor sem reflexão nenhuma seus posicionamentos, e dessa forma inflar seus próprios coletivos.
Observamos práticas de estudantes de base serem levados sem que se tivesse o mínimo de fundamentação da discussão política sobre o que deveria significar tal fórum, vemos assim como um parasitismo de alguns setores do ME, na disputa de migalhas de estudantes, na maior preocupação de realizar reuniões de seus coletivos do que na superação das divergências. Será que não é esse tipo de comportamento que gerou o Refluxo no ME? Fica a reflexão. Gostaríamos de salientar que tal pratica não é culpa do estudante de base que ta ali na tentativa de construir e de conhecer, e justamente devido a sua boa vontade, são enganados pelos militantes que chegam numa postura “coleguista” e cooptados sem terem acesso a uma discussão mais ampla sobre praticas organizacionais, ou seja, vemos a reprodução de praticas alienativas por parte dos que se dizem revolucionários.
Queremos deixar claro que nosso boicote dos espaços ali propostos e outros manobrados para que ocorressem por acharmos mais válidos e relevantes para nossa existência conhecermos a cidade de Uberlândia (suas feiras, parques, botecos, pessoas, comunidades, etc) do que participar de plenárias fictícias, onde as direções decidiam as 13 da tarde aquilo que teriam consenso e aquilo que não teriam, mostrando uma total falta de coragem de expor divergências programáticas.
Aqueles bravos companheiros que queriam expor seu descontentamento com ocorrido nos espaços tiveram sua voz dificultada pelas direções, será que é esse tipo de democracia que teremos em uma sociedade superior a essa? Creio que não, no meu entendimento a opressão do consenso se assemelha com as piores ditaduras, toda discussão e desnaturalização dos processos vigentes se faz necessário.
É muito importante situar que a luta contra o governo Lula/PT não pode se dar de qualquer forma, é preciso fazer a caracterização que se governou a serviço dos banqueiros e capitulando os movimentos (CUT, MST e UNE), nesta eleição vimos que todo o processo foi financiado pela grande burguesia e mesmo assim vemos membros e correntes do PSOL declarando apoio a candidata Dilma Rousseff, o que nos leva a questionar se realmente estão pautados na luta da classe trabalhadora.
Por isso, é de grande importância termos o entendimento que uma prática opressora com os diversos trabalhadores que ali presentes (Seguranças, Cozinheiros, Motoristas) compactua com a opressão que a classe dominante já propaga. Por isso que repudiamos esse tipo de atitude por acharmos que isso não é uma atitude de quem se reivindica comunista (Libertário, Leninista, Trotkista, etc.).
Fechamos nosso balanço salientando a necessidade de buscarmos novas estruturas organizacionais para a construção do movimento estudantil de forma geral, visto que se torna cada vez mais evidente a falência do movimento tal como é hoje, até mesmo porque a atual estrutura esta fadada a cair num total aparelhismo por parte dos partidos e movimentos totalitárias, que se utilizam dos aparatos das entidades estudantis para se infiltrar no meio universitário, deixando a demanda dos estudantes em segundo plano em detrimento da imposição de seus programas.
''Só ha duas opções nesta vida: Se Resignar ou se indignar. E eu não vou me Resignar Nunca''
Darcy Ribeiro
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Texto dos camradas da UFSJ
MOVIMENTO ESTUDANTIL: CRISE DE DIREÇÃO OU REPRESENTATIVIDADE?
Entendemos que a desarticulação do ME passa pela crise de representatividade. Independente de quais sejam as diretorias dos movimentos universitários, os DCE’s, UEE’s e entidades gerais não conseguem, salvo raras exceções, dar respostas para as demandas quotidianas dos estudantes, quanto mais para as questões políticas “maiores”.
DO HISTÓRICO
O movimento estudantil protagonizou diversas lutas do povo brasileiro. A criação da Petrobrás é um dos exemplos. Para além da análise da conjuntura de 50 ou 70 anos atrás, onde as disputas dos projetos de sociedade se davam de um modo mais aberto e intenso, constatamos que o movimento universitário era organizado pela base. Nas Universidades, os Centros Acadêmicos – CA’s – davam os rumos do movimento.
A ditadura de 64, na perspectiva de domar o ME, criou a figura dos DCE’s nas Universidades, organizados por eleições diretas. E nas Universidades onde já existiam DCE dirigidos pelos CA’s, acabou com o poder destes CA’s sobre o DCE, instituindo eleições diretas.
HERANÇA “GREGA”
Foi-se a ditadura, ficaram-se os DCE’s com eleições diretas. As “Diretas Já” foi uma conquista democrática, pois saímos da ditadura, saímos das trevas. Mas as diretas trazem consigo uma limitação no exercício da democracia. O povo vota de tempos em tempos, sem mecanismos de exercício direto do poder. Isso resulta no quadro atual. Para eleger um deputado, por exemplo, gastam-se milhões e milhões de reais, logo, manda quem tem dinheiro.
OS DCE’s HOJE
Nos DCE’s, a lógica não difere. São compostos por eleições diretas que exigem dinheiro, e o estudante limita-se a votar, pois elege uma diretoria com plenos poderes para mandar.
As eleições diretas são um poder limitado de democracia, pois o estudante vota numa chapa e não manda em nada depois. E por não mandar, participa pouco ou quase nada do movimento, pois é raro ver DCE’s onde votam mais de 10% dos estudantes.
Desta democracia limitada decorrem vários problemas: Corrupção, aparelhismo, carreirismo (nestes DCE’s, é comum a figura dos “estudantes profissionais”), oportunismo, etc.
MUDAR É POSSÍVEL
No entanto, outro tipo de democracia é possível, no lugar destas grandes e caras eleições. Há seis anos, quem dirige o DCE da Universidade Federal de São João del Rei – UFSJ são os CA’s e DA’s, por meio do Conselho de Entidades de Bases, que se reúne periodicamente para dar os rumos do DCE (cada CA ou DA tem um voto no conselho). Este conselho elege os cargos executivos do DCE (secretário, tesoureiro...), que têm a mera função de executar. E o principal, que é o poder que o conselho tem de revogar, sempre que necessário, qualquer dos cargos executivos do DCE. Tal democracia é mais avançada, pois:
* Dificulta a corrupção, pois um CA/DA fiscaliza o outro.
* Os CA’s/DA’s se fortalecem, pois passam a ter o poder do DCE. Na UFSJ, antes desta mudança funcionavam de fato 3 CA’s, num universo de 12 CA’s formalmente constituídos. Hoje existem 25 CA’s funcionando de fato.
* Acaba com o carreirismo, pois quem manda no DCE são os CA’s/DA’s, e não um ou outro “figurão iluminado”. É o fim da figura do “estudante profissional”.
* Os partidos políticos que desejarem participar do ME terão que mudar sua relação com o movimento, fazendo política de base nos CA’s/DA’s e atuando de maneira propositiva no conselho.
* No conselho a participação é aberta a todos os estudantes, logo não precisa ser do partido A ou B pra ajudar a construir o movimento.
* O conselho é contínuo, pois por não haver grandes eleições (e suas respectivas fraudes, denúncias, problemas com a justiça...) não se para o DCE por meses. Como o conselho é permanente, a renovação é mais saudável, pois dificilmente serão trocados todos os CA’s/DA’s de uma só vez (como acontece com uma diretoria de DCE, nos moldes atuais).
* As eleições são mais que diretas, pois a participação na eleição de um CA/DA é muito mais significativa que na de DCE (geralmente 30% votam na eleição de um CA/DA, enquanto na de DCE não se chega a 10%). Além disso, uma eleição de CA/DA é mais confiável, pois se usa pouco dinheiro e geralmente os estudantes conhecem os membros da entidade.
* O conselho, por ser aberto, torna-se multidisciplinar, o que melhora a qualidade de suas decisões.
E OS PARTIDOS PARTICIPAM DESTE TIPO DE DCE?
Este formato proposto de DCE muda a relação dos partidos. Hoje, muitos partidos, alguns que buscam a revolução, seguem a velha tática: Aparelhar um DCE, para pegar dinheiro e a imagem do movimento para colocar a seu serviço, pois entendem que assim estarão mais fortes e consequentemente mais próximos de fazer a revolução.
O que se vê, são estes partidos ganhando uma eleição de DCE para ganhar outra eleição, e pra ganha outra eleição, sendo um eterno ciclo vicioso. O que eterniza um movimento fraco, sem representatividade, e o que redunda em partidos corruptos, com uma militância treinada na fraude, no oportunismo, no carreirismo...
Com um DCE dirigido pelas bases, os partidos que buscam construir-se devem disputar sua política nas bases, junto aos CA’s e DA’s. E devem participar do Conselho de CA’s e DA’s de um modo construtivo, pois do contrário fracassarão.
OS ESTUDANTES SÃO “REACIONÁRIOS”?
É comum ver defensores da manutenção do status quo (manter os DCE’s como estão) dizerem que os estudantes são reacionários, que não participam do movimento por serem “anti-revolucionários”. É bastante óbvio que o estudante entre na Universidade com uma imagem negativa do movimento, pois somos bombardeados desde o “berço” com a propaganda de que MOVIMENTO=BADERNA.
Ora, mas o que os estudantes vêem ao entrar na Universidade? Geralmente, baderna. Um movimento pautado no divisionismo, no disputismo, na baixaria. Um movimento que pouco constrói. Sendo assim, é igualmente óbvio crer que a maioria dos estudantes ficarão a margem do movimento.
No entanto, se há uma dinâmica favorável para o movimento como tem havido na UFSJ nestes últimos anos, muitos estudantes se aproximam, constroem o movimento, e alguns acabam exercer a política para além da Universidade, organizados ou não em partidos políticos.
Um atestado disso é que, em São João Del-Rei, muitas organizações políticas estão fortalecidas, com bons militantes treinados no diálogo e na construção de um movimento de fato.
Tudo o que penso, sem igual.
Teoria, minha querida,
Mostra-me o caminho da vida.
A. Glassbrenner
sábado, 25 de setembro de 2010
LUTARMADA Hip Hop e as eleições.

Galhardetes, baners, faixas, carros de som, panfletagem profissional, promessas, mentiras, acusações e bravatas. De 2 em 2 anos somos submetidos autoritariamente a esse martírio. A propaganda oficial diz sobre o seu Direito ao voto. De acordo com Marilena Chauí “a função do Direito é fazer com que a dominação não pareça uma violência. Se o Estado e o Direito fossem percebidos como instrumentos de dominação, os dominados se revoltariam”. E hoje o que fazem os partidos, inclusive os de esquerda? Se valem desse Direito ao voto para disputar espaço no Estado. E reparem que no caso das eleições, sob as cortinas do Direito se esconde uma obrigação. Se a pessoa com idade eleitoral resolve não votar, ela estará obrigada a uma multa ou será submetida a punições que trarão transtornos à sua vida social e pessoal. Ou seja, o que se propagandeia como um direito seu, na verdade é uma imposição.
As candidaturas de esquerda muitas vezes são justificadas com o argumento de que o Estado é um fato que independe da nossa aprovação como militantes, e que por isso devemos ocupar esses espaços com nossos representantes para serem um contra-ponto aos políticos de direita. Começamos aqui denunciando a possível ingenuidade que há em acreditar nisso. Para quem concorda que O Estado é o comitê executivo da burguesia, é um tanto quanto equivocado levar a nossa luta para um campo onde a burguesia tem mais força. Pela experiência acumulada nesses dinâmicos anos de “democracia”, percebemos que “nossos representantes” não ocupam espaços no aparato do Estado. Eles são, sim, consumidos, tragados, abduzidos pelo Estado.
Se os partidos surgem como forma de organizar o povo para a luta, esse propósito se desvirtuou com o tempo. Hoje, em função das eleições, os partidos não só abdicam da organização da luta popular, como desorganizam algumas iniciativas em construção. Em primeiro lugar ninguém seria leviano em negar que em período de eleição não há luta, a não ser por votos. Toda a esquerda, inclusive a que não é cúmplice disso, é pautada pelo processo eleitoral (vide o atual insucesso do Plebiscito Popular Pelo Limite da Propriedade de Terra, pro qual já se sabe, teve uma participação bem inferior aos plebiscitos anteriores ). Numa segunda análise nota-se que algumas organizações passam um período de 1 ano e meio em suas bases num trabalho de formação sob um alerta de Karl Marx de que “A emancipação dos trabalhadores será obra dos próprios trabalhadores”. Até que a campanha eleitoral começa e boa parte da esquerda atravessa o nosso caminho dizendo que “o seu voto pode fazer a diferença”.
Com tanta gente falando sobre o voto como caminho para o progresso, a justiça social e a paz, e como a defesa do processo eleitoral está presente tanto no discurso da direita como no da maioria esmagadora da esquerda, como o grito de “vote” ecoa bem mais e em maior volume do que o grito de “lute”, por fim as bases se convencem de que a emancipação dos trabalhadores será obra... do “meu representante” no congresso, na assembléia, na câmara municipal, e no palácio do governo. Só que como a máquina de propaganda (e compra de votos) da direita é infinitamente mais forte do que a da esquerda, a grande maioria dessas pessoas convencidas a votar, votam em conditat@s de partidos conservadores. Isso fica difícil de ser enxergado por uma esquerda distante das “comunidades baixa-renda”. Porém, mesmo de longe isso pode ser constatado quando se observa que quase a totalidade de moradores dessas comunidades que se candidatam, o fazem por partidos de direita. Esse é o resultado do desserviço prestado pela esquerda partidária, que legitima a perpetuação de nossos inimigos no poder.
Numa das primeiras paginas da tão comemorada constituição de 1988, consta que “todo poder emana do povo (...)”, mas, por exemplo, na esfera federal, 15,5 bilhões do nosso dinheiro foram gastos saldando a dívida do Estado brasileiro com o FMI; no Estado do rio, com um déficit de aproximadamente 10 mil professor@s, o governo gasta R$ 45 milhões com carros e helicópteros blindados para a sua polícia, em maior segurança, atirar em cabeça de pobre; no Rio, a prefeitura proibiu a utilização de escolas municipais para a realização de cursos pré-vestibulares comunitários. Cursos esses que capacitaram muit@s jovens de periferia a prestar, com sucesso, um vestibular que nem deveria existir. Se o poder de fato emana do povo e se o povo é diretamente afetado com tais medidas, por que o povo não pode debater e decidir?
Alguns militantes de partidos de esquerda dizem que o voto nulo, hoje, no Brasil é despolitizado. Podemos até concordar com isso, mas a mesma coisa pode se afirmar sobre o voto válido: sua esmagadora maioria se baseia em critérios os mais variados e absurdos que não o histórico, a orientação e plataforma política de cada candidat@. Para ilustrar tal fato basta ver a projeção de votos para o candidato a deputado em São Paulo, Tiririca, cujo slogan é “Vote no Tiririca. Pior do que tá não fica”. E esse processo de deseducação política do nosso povo tem enorme colaboração dessa esquerda que promove campanhas como “Fora Sarney”, “Fora Arruda” e outras semelhantes, atacando um sintoma da nossa sociedade e não a sua estrutura. Por que? Seria por que não é interesse implodir uma estrutura da qual querem se beneficiar? Em artigo publicado em junho deste ano
( http://metamorfozesnacidade.blogspot.com/2010/06/uma-outra-politica-e-possivel.html), o sociólogo Antonio Ozai dá a sua opinião sobre essa questão: “cada vez mais aumenta o número dos que passam a viver da política. A missão revolucionária, viver para a política, é sutilmente substituída pela dependência econômica em relação ao aparato burocrático do partido e do Estado”.
Para @ polític@ honesto da esquerda que quiser de fato combater a corrupção na nossa política, o primeiro passo deveria ser não emprestar a credibilidade de seu nome a um jogo que permite a acessão ao poder de figuras como Collor, Sarney, Maluf, Arruda, Álvaro Lins, Celso Pita, José Dirceu e tant@s outr@s. Também não se sustenta o argumento de que pode se votar no candidato X para impedir que o candidato Y se eleja. A dinâmica da política institucional é muito suja. Os opositores de hoje “num toque de mágica” amanhã se tornam aliados. Um bom exemplo era a polarização entre PP e o PT, principalmente em São Paulo. Essa prática de votar para excluir funcionou até 2003. Quando o PT chega à presidência o PP – que já se chamou PDS, PPR e que tem origem na Aliança Renovadora Nacional (ARENA, partido de sustentação da ditadura de 1964) – se alia ao antigo rival. Como dissemos, o jogo é sujo.
Respeitamos todas as formas do povo organizar a luta contra-hegemônica. E se criticamos a atitude dos partidos que disputam eleições é porque acreditamos que essa não é uma forma de organizar, mas sim, o contrário, ela desorganiza a nossa classe para a luta.
Então, não é só pelo que representa o Estado; não é só pelo impacto negativo que o processo eleitoral tem sobre as organizações populares; não é só por legitimar o poder exercido pelos nossos inimigos de classe; não é só pela corrupção d@s que são eleit@s; não é só pela sangria de militantes das ruas para o aparato burocrático, tanto do Estado quanto dos partidos; não é só pelo fato de esse modelo institucional usurpar o poder que deveria emanar do povo. É por tudo isso junto que nós do Coletivo de Hip Hop LUTARMADA acreditamos que o caminho que nos levará ao socialismo não passa pelas eleições. É por isso que nós defendemos o voto nulo.
Inspirad@s nos Black Panthers,
TODO PODER AO POVO.
Coletivo de Hip Hop LUTARMADA.